segunda-feira, 14 de março de 2011

Os jovens, também vítimas do sistema?

Antes dos jovens, falemos ainda da Mulher para denunciar, mais uma vez, um dos maiores atentados praticados ainda em certas tribos africanas quando, em tenra idade e totalmente indefesa, lhe é imposta a excisão do clítoris. Uma monstruosidade quase comparável à imolação de crianças para apaziguar a ira dos deuses em tempos remotos... Arrepia e revolta! Há que, nesses países, apelar à mudança de mentalidades para que se acabe rapidamente com tamanha barbaridade. Quem o fará?
Agora, o assunto de hoje:
Os jovens fariam melhor se, em vez de contestar o sistema político vigente no país e exigir derrube de governos, em manifestações mais ou menos ruidosas, eles próprios se imiscuíssem no sistema político-partidário para acederem ao poder e, a partir de dentro, jogando o mesmo jogo, fazerem todas as reformas que apregoam como necessárias. É que dificilmente será possível mudar seja o que for, profundamente, radicalmente, se os protagonistas continuarem perto dos mesmos ou apaniguados dos mesmos, directa ou indirectamente. Pois, se os do partido A não cumprem, os do B que disputam ao A o poder, alcançando-o, não farão muito melhor: todos estão comprometidos com o sistema, corrupto na generalidade, subserviente aos interesses instalados, dominados pelos todo-poderosos agentes financeiros que ditam as suas leis.
Vamos ver ao que se chega nos países árabes do Magrebe e Médio Oriente com estas revoluções desencadeadas pelos jovens, exigindo democracia.
O desafio é que eles formem um partido – PARTIDO DA JUVENTUDE – com o nome da nacionalidade própria – EGÍPCIA, TUNISINA, LÍBIA, etc. – e entrem no jogo, submetendo-se ao sufrágio universal, com ideias e propósitos de agir com coragem, saber e honestidade. Eles, sim, eles poderão ser os garantes das reformas drásticas que são necessárias a nível global e local para que o mundo mude e, como adultos de amanhã, tenham um futuro o mais possível risonho e, sobretudo, sustentável. O que, obviamente não é fácil! Eles que não tenham ilusões. Aliás, só metendo as mãos na massa, verão as inúmeras dificuldades que enfrenta quem decide fazer reformas e aceita governar um país num mundo cada vez mais globalizado. Para tanto, terão de ser realistas! Não poderão pensar segundo os modelos que aprenderam nas universidades: estão “démodés”, pois incapazes de garantirem a sustentabilidade no Planeta quer a nível social, quer ambiental e dos recursos. Aqui, mais uma vez remetíamos para os textos já produzidos em Julho/Agosto de 2010.
Por outro lado, os jovens teriam que se apresentar à sociedade como credíveis. Maduros! (25-45 anos!) Conhecedores dos dossiers! (universitários distintos) Arrojados nas propostas! Rompendo com o passado, mas tendo em conta o presente, portanto, com rupturas não demasiado abruptas! Propostas a nível nacional tendo em conta o contexto global! Assegurando honestidade na governação, fazendo crer que irão governar e não “governar-se”! Alterando as leis que protegem os criminosos, sobretudo os de colarinho branco e os corruptos, advogando, por exemplo, as escutas como válidas em qualquer processo de corrupção, punindo os advogados que salvam os criminosos, não admitindo recursos depois de uma primeira condenação, a não ser em casos extremos, etc., etc., etc. Um programa aliciante e prevendo também apertado controle interno: ovelha que se tresmalhasse seria imediatamente responsabilizada e posta fora de cena! De outro modo, não há alternância que consiga alterações significativas para “salvarem” as pátrias, “salvarem” o mundo, um mundo cada vez mais global e globalizante. Uma coisa é certa: revoluções para a continuidade dos "mesmos", com os mesmos modelos, de certeza que não interessam!

6 comentários:

  1. Nos dois temas está presente o desejo de mudança com a juventude e pelo melhor futuro de todos.

    Parece-me que toda a nossa juventude está na política desde a escola primária - escola básica.

    O que eles ainda não viram são as raposas velhas que se aproveitam deles para subirem e se instalarem no poder.

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  2. Luis,
    Nas escolas primária e básica, o discernimento não passa o nível do pensamento familiar, à excepção, quando muito, de algum professor que não se limite a debitar matéria mas a educar para a cidadania crítica, àquele nível etário. Nem no secundário o assunto se põe com acuidade. Na universidade, sim! Aqui, já se pensa seriamente no futuro, no emprego, na vida a construir fora da alçada dos pais, de preferência estável. Ora estabilidade é o que os jovens cada vez vão encontrar menos na vida real. Daí a necessidade urgente de se aperceberem que só com modelos diferentes de sociedade, no ponto de vista económico-financeiro, logo, também na política, é que conseguirão alguma estabilidade que lhes permita construir a vida, embora não mais como os seus pais a construiram. Mas o caminho a percorrer é tão longo! Os entraves dos conservadores e bem-instalados vai ser tanto! No entanto, desistir, nunca! Será uma derrota que só atrasará o avanço sustentável da civilização e não lhes proporcionará um futuro quanto possível risonho a que, sem dúvida, como seres humanos, têm direito!

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  3. É a terceira vez que comento.
    Não entraram os anteriores comentários.
    Vou confirmar agora se tem moderador, mas não creio.
    Beijinho

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  4. Amigo Francisco!

    Aparentemente não sou capaz de dizer tudo o que gostaria.
    A informação é de que o comentário é demasiado longo, lamento.
    Esta é a quinta vez, vamos ver se entra.

    Plenamente de acordo consigo, desde o primeiro parágrafo à última palavra.
    Lembremo-nos sempre dos crimes hediondos cometidos sobre as mulheres, crianças até recém nascidas. Que horror!

    Os jovens desta dita geração à rasca, estiveram alheados, na sua grande maioria, de tudo o que não fossem copos e farras.
    Agora acordaram, tarde, mas mais vale tarde do que nunca.
    Façam o que lhes compete, insurjam-se. O normal é os que os jovens sejam contestatários e não amorfos.
    Beijinho

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  5. Caríssima Ná!
    Deve ter sido deficiência técnica de transmissão o facto de não ter podido escrever um longo comentário. No outro meu blog "Em nome da Ciência", houve um e não foi impedido de publicação.
    Apesar de muitos jovens estarem mal preparados para a vida e para enfrentarem dificuldades, terão que aprender com essas mesmas dificuldades. E têm de ser capazes! O amanhã é deles. Ou governam ou virão ser governados por estrangeiros! Com todas as consequências que tal perda de soberania acarreta. É isso: tomem o poder nas mãos, jogando o jogo da democracia!

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