sábado, 23 de março de 2013

30 PERGUNTAS – 30 RESPOSTAS (4/5)




EDUCAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

19 - Que áreas do conhecimento e que métodos de aprendizagem estão em falta no nosso sistema educativo?

R – Embora tenha sido professor, agora aposentado já há uma meia dúzia de anos, afastei-me do ensino e não conheço suficientemente os curricula existentes para me pronunciar com seriedade crítica. Objectivamente, uma necessidade imperiosa é a ligação do ensino ao mercado de trabalho, logo, após um básico e um secundário bem feitos, o aluno deverá dispor de cursos universitários direccionados para e em conjugação com as empresas, sobretudo as rentáveis, i.é., as que produzem valor acrescentado, quer para o mercado interno quer externo. De outra forma, é um logro para o estudante, e uma formação inútil para o país.

20 - Qual o perfil de competências do professor do futuro?

R – Sobretudo ser capaz de criar nos alunos a noção da responsabilidade, incutindo-lhes a necessidade de pegarem o seu futuro nas próprias mãos e não estarem à espera que o governo ou os pais lhes sirvam de “muletas de salvação”. O resto virá por acréscimo, tendo sempre em conta a volatilidade do emprego, volatilidade que será cada vez mais forte e mais stressante, dada a rápida evolução da Ciência e do mundo e, ao mesmo tempo, o seu descontrolo no que se refere à justiça entre as gentes na falta de igualdade de oportunidades e de saberes.

21 - Qual a força do empreendedorismo individual no combate à crise económica?

R – Muita e relativa. Muita porque cada um, puxando do seu curriculum e das suas aprendizagens, deve procurar, dentro ou fora de portas, as oportunidades que se lhe oferecem para realizar-se ou realizar o seu ideal de vida. Relativa porque o sistema económico-financeiro que rege o mundo é de tal modo corrupto e descontrolado que impede a realização daquele ideal, como seja constituir uma família após um emprego relativamente estável ou com perspectivas suficientes de estabilidade que permitam tal “feito”. A falta de condições para que haja jovens casais a ter filhos vai arruinar as sociedades, só depois se retrocedendo, retrocesso que não se fará sem sofrimento acrescido e desnecessário caso mudassem as mentalidades e os sistemas económico-financeiros. Mas já vimos que quem poderia mudar tal status quo não está interessado nisso, Por isso...

22 - O que fazer para evitar que a crise potencie o abandono escolar e o trabalho infantil?

R – Há que incutir nos jovens, a nível político, governamental, familiar e escolar, o amor pelo saber e pela valorização do seu curriculum como parte fundamental para se realizar enquanto pessoa, quer no mundo do trabalho, quer no domínio psicológico e sentimental. O slogan terá de ser: “Mais cultura e mais preparação académica = mais facilidade de dominar os boicotes que a sociedade cada vez mais coloca a quem quer começar a sua vida activa.”

23 - O empreendedorismo social pode ser uma via de desenvolvimento?

R – Claro! Entendendo-se por empreendedorismo social a iniciativa de criar empresas seja no campo da produção, seja no da prestação de serviços. Para isso há todo um conjunto de condições que, infelizmente em Portugal, estão longe de se concretizarem: 1 – facilidade de criação da empresa com a diminuição drástica da burocracia 2 – atractividade fiscal 3 – simplificação drástica dos códigos processuais que afectam as empresas (os cidadãos em geral também, o que é uma vergonha nacional, mais uma!!!) pois os que existem revelam uma apetência desenfreada por parte dos advogados que os elaboram pela complexidade, confusão, quer a nível das ideias quer da expressão, utilizando-se terminologia ambígua e confusa que o utente para quem são dirigidos nada entende. (Dizem que é de propósito, para depois poderem ganhar fortunas em consultadorias. E tudo leva a crer que tal seja a verdade! Mas pobre do país que tal gente tem para o “governar”!)

24 - O que falta a Portugal para ser mais empreendedor?

R – Para ser mais competitivo, está respondido no número anterior. Para ser mais empreendedor, é preciso encorajar todos os que têm capacidades quer para o empreendedorismo individual quer para o empreendedorismo social, a lançarem-se na aventura de realizarem os seus sonhos quer individuais quer sociais, inscrevendo o seu nome nos “cadernos dos heróis nacionais”, sentindo-se assim realizados por terem feito algo de bom para melhorar o mundo que os viu nascer, começando, se possível, pelo seu próprio país.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

30 PERGUNTAS – 30 RESPOSTAS (3/5)


QUALIDADE DE VIDA

13 - O que significa qualidade de vida?

R – Embora para muitos signifique “ter muitas coisas, muito dinheiro”, o que é certo é que as muitas coisas e o muito dinheiro não representam forçosamente qualidade de vida. Diria que, pelo contrário, quantas mais coisas se têm, mais preocupações, mais despesas de manutenção e taxas se têm; quanto mais dinheiro, também mais preocupações: procura de fundos de aplicações rentáveis, medos de percas na Bolsa, aquisição de bens, colocação em offshores... Se se investe numa empresa e se se é patrão, podem gozar-se umas férias no Hawai ou nas Caraíbas, passar uma semana no melhor hotel do Dubai (qualidade de vida!), mas, durante todo o ano, arruinou-se a saúde com voltas e mais voltas – voltas que fazem perder o sono, logo a qualidade de vida – para aumentar a produtividade, escoar os produtos a preços ao mesmo tempo rentáveis e competitivos, pagar IRC, seguros e SS dos trabalhadores, etc. etc. No entanto, os patrões – os honestos, claro! (haverá muitos, sobretudo nas PMEs!) – são absolutamente necessários para a criação de emprego e manutenção do crescimento da economia. Mas, de um ponto de vista filosófico, como ideal de qualidade de vida, dever-se-ia pensar no SER e não no TER, satisfeitas que fossem, obviamente, todas as necessidades básicas, sobrando algum dinheiro para a cultura, o prazer da comida e do lazer, viajar por esse mundo, conhecido ou não pela Net, educação dos filhos e/ou netos. Boas ideias, não?!

14 - Os cidadãos têm o dever de intervir mais ativamente na definição do futuro do país?

R – Obviamente! Mas quantos o saberão fazer? E os que poderão dar o seu contributo – tal como nós! – que possibilidades têm de intervir nos poderes instituídos? – Poucas, muito poucas. A partidocracia – diria antes partidotirania! – com as suas clientelas partidárias, normalmente comprometidas com o poder económico-financeiro, próprio ou de amigos, logo facilmente corrompíveis, impede os cidadãos de participarem na construção do futuro do país. Os partidos impõem os seus homens do aparelho – normalmente incompetentes e tendencialmente corrompíveis – e o povo tem de votar nesses incompetentes ou, então, abster-se. E mais vale abster-se do que participar numa pseudodemocracia que é aquela que nos governa e que governa uma grande parte dos países ditos democráticos. Nos outros... Mas esta democracia é uma falácia: temos a liberdade de expressão, mas nada adianta o que dizemos ou denunciamos: a Justiça não funciona, baseada em leis feitas por lobbies de advogados que as fazem confusas e cheias de fugas para que todos os corruptos e ladrões do Estado, nunca “consigam” ser condenados, podendo recorrer de tribunal em tribunal até à prescrição do processo, após anos de gastos de dinheiros públicos! Uma vergonha de país que tal Justiça tem!!! Portanto, para o cidadão participar no futuro do país, há que reformular profundamente a democracia! Por exemplo, mantendo partidos, criar obrigatoriamente ciclos eleitorais uninominais, com vários candidatos independentes, que apresentassem as suas credenciais de competência e honestidade; formar sempre um governo de iniciativa presidencial em que o PM e seus ministros se submetessem à apreciação pública quanto à mesma honestidade e competência. Creio que as democracias no mundo, ainda serão exemplares, um dia! Com homens a governar - como é a situação catastrófica actual, catastrófica a todos os níveis, sobretudo aos níveis político e económico-financeiro - será mais difícil, se não impossível. Mas talvez, se dê oportunidade às mulheres, como defendo no meu livro "Um Mundo Liderado por Mulheres" (Ver Net). Para governar tal Mundo, elerger-se-iam mulheres sábias, inteligentes, dinâmicas e honestas. Assim, teríamos garantidamente uma democracia sã... Enquanto uma reformulação profunda da democracia não for feita, só resta uma alternativa ao povo, para não alimentar esta partidoditadura tendencialmente corrupta que nos governa: NÃO VOTAR!

15 - Depois de anos de crescimento estamos preparados para a perda
de rendimentos e de direitos adquiridos?

R – A pergunta é de louvar. Não diz “...anos a gastar acima das nossas possibilidades”, chavão que muitos usam para imporem uma austeridade irracional que atrofia completamente a economia do país, dado o sistema económico-financeiro vigente: crescimento do PIB baseado no consumo interno e nas exportações. Ora, o crescimento foi sempre anémico ao longo destes anos e sempre nos endividamos mais e a juros mais altos do que o crescimento do PIB, quando qualquer tratado de Economia diz que os juros a pagar não devem ser superiores a tal crescimento; caso contrário nunca se poderá pagar a dívida contraída. Ainda estamos para ver como estes “cérebros” que nos governam irão amortizar a colossal dívida que temos (120% do PIB), quando continua a endividar-se, no pomposo nome de “ida aos mercados”, e com sucesso por haver quem nos empreste dinheiro à taxa de quase 5%, obviamente taxa incomportável para se poder amortizar juros e dívida, pois não há riqueza para tal. “Direitos adquiridos” é uma expressão que sindicatos e trabalhadores usam e dela abusam! Todos sabemos quantos direitos não foram adquiridos sob pressão, em “verões quentes”, sobretudo nas Empresas públicas de transportes onde há “direitos adquiridos” ridículos como receberem um bónus por irem trabalhar e um complemento de reforma quando se reformarem pagos por empresas altamente deficitárias e que custam milhões ao erário público. Por isso, há que separar o trigo do joio! A “perda de rendimentos” será inevitável. Mas, para haver justiça e equidade, precisávamos de um Governo não corrupto (o que não é o caso!) para cortar em tudo o que deveria cortar (PPP, BPNs, CGD, BdP, Refer e Cªs, AR e PR e Gabinetes de Ministros com as suas mordomias escandalosas, desde os numerosos assessores, filhos dos amigos, até às flores e ao caviar nas cantinas por meia dúzia de euros..., a subsidiação escandalosa dos partidos e das eleições, etc., etc.) e não nos bodes expiatórios do costume onde é fácil cortar (funcionários públicos, pensionistas, SNS, rendimentos do trabalho, etc.)

16 - Quais as áreas prioritárias de intervenção do estado social?

R – Pergunto: “O que é o Estado Social”? – Será aquele que sabe distribuir a riqueza e benesses sociais (saúde, educação, subsídios de doença e desemprego, etc.) pelos seus cidadãos, de forma justa e adequada. Mas nada de facilitismos! Transgressores das normas, castigos severos! Muita fiscalização será necessária. (Por exemplo, falcatrua nas baixas por doença, perca de um ou dois salários!) O facilitismo leva o cidadão a desleixar-se: “A necessidade espevita o engenho”!

17 - Conseguiria viver com o ordenado mínimo nacional?

R – Talvez não passasse fome, socorrendo-me dos produtos de marca branca, mas, com qualidade de vida, claro que não! O mesmo se passa com o subsídio de desemprego. Mas um país que não consegue organizar-se nem organizar o seu tecido empresarial, não produzindo riqueza, terá muitos cidadãos que não poderão ganhar mais que esse salário. Logo, a não terem qualidade e vida! Se é que têm emprego!

18 - É necessário reinventar a democracia?

R – Absolutamente! Esta que nos governa não presta! É mesmo asquerosa, dada a partidotirania já acima referida. (Nº 14)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

30 perguntas - 30 respostas (2/5)

CIÊNCIA E TECNOLOGIA


7 – De que forma é que a ciência e a tecnologia podem ajudar o país a sair da crise?

R – Muito dificilmente. Não haverá ciência e tecnologia suficientes que valham a qualquer país do mundo ocidental – logo também a Portugal, e com maior força de razão devido à profunda crise que atravessamos – perante a hegemonia chinesa, indiana e brasileira, não falando já de outros países asiáticos: muita tecnologia (copiada ou não do ocidente), mão de obra barata, poucas regalias sociais. Só numa nova ordem económico-financeira global, onde tudo se harmonizasse à escala global: controle da população, mesmas regras salariais, mesmos benefícios fiscais, mesmos cuidados sociais básicos (educação, saúde, habitação, alimentação), caminhando para um igualitário nível de vida..., só assim se poderia evitar aos ocidentais o “perigo asiático”. Mas, olhando para o mundo, da África à Ásia, à Europa, às Américas, vemos quão longe estamos dessas sociedades! Isto, sem falar nos fundamentalismos religiosos e outros (os dependentes dos lobbies das armas e do tráfico de droga, de seres humanos, etc.) que põem o mundo em contínuo sobressalto. Utopia, portanto! No entanto, há que fazer alguma coisa, adaptando-nos momento a momento às circunstâncias que serão cada vez mais adversas: exportar tecnologia de ponta que possa competir com o melhor do que se faz no mundo. O preço, esse...

8 – Em que áreas Portugal pode apostar para se afirmar como potência científica?

R – Talvez as ciências do Mar. Mas também nas outras áreas do saber em que já demos provas de sermos bons: medicina, astronomia, energia. Mas seremos sempre uma potência científica limitada à nossa pequenez: somos 10 milhões; os chineses, 1300 milhões! Por cada português inteligente, haverá 130 chineses. Não se poderá competir só pela qualidade...

9 – Que alternativas podem existir ao investimento estatal em I&D?

R – Não tenho informação para me pronunciar.

10 – Qual a importância da divulgação da ciência e da tecnologia?

R – Para o equilíbrio e a tomada de decisões, quer a nível individual (desde o saber estar na sociedade ao saber entender-se consigo próprio e com o seu foro íntimo no que se refere a crenças, aguçando o espírito crítico), quer a nível colectivo, a Ciência, ou pensar em termos científicos, é fundamental. É ela que aporta o Conhecimento, sem o qual nada avança, seja em que plano for. Por isso, quanto mais Ciência, mais conhecimento, mais equilíbrio individual e colectivo, melhor tomada de decisões. Divulgar a tecnologia é sempre benéfico porque espevita o espírito de pesquisa, em todas as idades, sobretudo nos mais jovens que se vêem confrontados com um mundo, no qual não encontram grandes perspectivas de vida se não forem competitivos. Ai, a palavra competição! A competição será sempre uma espada de dois gumes: gera progresso e produtividade, mas tira qualidade de vida devido ao stress permanente que acompanha o indivíduo, ao serviço das empresas produtivas.

11 – Como evitar a fuga de cérebros numa economia em crise?

R – Não valendo a pena lamentar tal fuga, o que é certo é que os “cérebros” não têm alternativa senão emigrar par países onde encontrem trabalho correspondente aos conhecimentos e capacidades (Know how / skills) que possuem. Ficarem no país que não lhes oferece ou permite a sua realização pessoal, seria uma frustração permanente, frustração que nem ao país interessa quanto mais aos próprios. Espera-se que voltem um dia, com ideias novas e que, ao menos, enviem remessas monetárias para os bancos nacionais, já que são estes que, procurando o lucro para os seus accionistas, apoiam a economia. Perverso, não?! Quando teremos coragem de mudar o sistema? Para já, é impossível: os que poderiam provocar a mudança são os primeiros a quem a mudança não interessa!

12 – Quais as metas futuras que a tecnologia deve alcançar?

R – Pergunta que me parece de resposta impossível. É que não há metas definidas: a tecnologia avançará continuamente e para caminhos que ninguém poderá prever, a longo prazo. Só nos resta ir acompanhando e admirando-nos com o que se for descobrindo. Enquanto para nós brilhar o sopro da vida...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

30 PERGUNTAS – 30 RESPOSTAS (1/3)


O programa da SIC “Falar Global” levou a cabo uma iniciativa, colocando 30 perguntas a 30 “especialistas” escolhidos entre os candidatos ao “lugar”. Eis as perguntas e as minhas respostas com... “Ideias-Novas”. Tal tarefa não é fácil em virtude de as perguntas serem formuladas tendo em conta o sistema económico-financeiro vigente actualmente a nível mundial, sendo esse o sistema criticado e proposto para alteração exactamente por “Ideias-Novas”. As respostas deverão ser complementadas pelo leitor, relendo os 14 mini-textos publicados, aqui, em Julho/Agosto de 2010, sob os títulos "Sustentabilidade 1/7" e "Modus operandi 1/7"

EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL

1 - Que soluções devem ser adoptadas para evitar o flagelo do desemprego?

R – Já aqui escrevemos – aliás, repetindo as ideias principais que aparecem no meu livro UM MUNDO LIDERADO POR MULHERES – que: primeiro, toda a gente que quer trabalhar tem direito a ter um emprego/trabalho onde se sinta, quanto possível, realizado; segundo: há várias medidas que se podem/devem tomar, mas que só serão realmente possíveis com uma nova ordem económico-financeira, onde a finança esteja ao serviço da economia e esta ao serviço dos cidadãos, dando a todos tal oportunidade de emprego. Também já vimos aqui que “nova ordem” é essa e como consegui-la. Nas actuais circunstâncias, com os objectivos das empresas a terem apenas lucros, pressionadas pela finança, não há hipótese de pleno emprego. E quanto maior a crise, maior o desemprego. Como se constata! Se o que propomos é uma utopia, por enquanto, o que é possível não é exequível: só o crescimento do PIB permite a criação de emprego e tudo leva a crer que o PIB dos países desenvolvidos não vá aumentar devido à concorrência asiática e ao mercado global. Resta-nos sonhar que a utopia se torne realidade, forçada pelas circunstâncias. Até lá, vai haver muito sofrimento das sociedades, colectiva e individualmente.

2 - Que alternativas existem para evitar a falência anunciada da segurança social?

R – Várias, mas nenhuma eficiente por estar conectada com as contribuições dos empregados e empregadores que sustentam a SS. Ora, aumentando o desemprego... Depende, pois, das soluções para evitar o flagelo do desemprego (Ver questão nº 1). Na actualidade – e para Portugal que está endividado e nem sequer consegue criar riqueza para pagar os juros da dívida quanto mais amortizá-la!... – só há uma alternativa, já que não pode/deve endividar-se mais: baixar os subsídios de aposentação, na proporção do crescimento do desemprego. Obviamente, uma medida perversa! O baixar só as pensões mais elevadas e gradualmente, é uma medida socialmente aceitável e justa, mesmo que os atingidos tenham descontado mais para a SS, na sua vida activa. Mas... é mais um ataque à classe média, o que nada abona em relação ao sistema económico-financeiro vigente. O equilíbrio entre receitas e despesas parece, pois, impossível. Será que a previsível ruptura levará a uma solução radical, a tal utopia que se preconiza no livro UM MUNDO LIDERADO POR MULHERES?

3 - Que novas formas de emprego existirão no futuro?

R – Ouvimos dizer aos professores universitários: “Temos de preparar os nossos alunos para empregos que nem sequer existem hoje”. Certamente, empregos ligados às novas tecnologias e inovações em todos os campos que não param de nos surpreender, dia a dia. A volatilidade do emprego, no futuro, será cada vez maior. A estabilidade quase nula. É, sem dúvida, uma ameaça para a sociedade, pois não haverá condições para constituir família e gerar filhos...

4 - A solidariedade e a entreajuda informal podem ser uma alternativa
aos sistemas de protecção social?

R – Já o são nestes tempos e irão continuar a sê-lo nos próximos anos. Interessante o exemplo que nos chega dos USA, com o movimento de jovens – ignoro o nome! – que organiza grupos de jovens que vão até países onde tudo falta, sobretudo África, e constroem escolas, redes de água potável, etc. Mas, globalmente, o cidadão não deveria estar sujeito a depender da solidariedade; ele deveria ter o seu próprio meio de subsistência, desde que capaz de a assegurar. Compete aos governos dos países criar condições para que tal aconteça. Os países deveriam ser geridos como uma empresa de fins não lucrativos. Com o actual sistema económico-financeiro totalmente desregulado, a nível global, onde a finança tem todo o poder, não é possível aos governos trabalharem nesse sentido, pois também eles estão subjugados ao sistema e dele são reféns.

5 - Que estratégias se podem conceber para incluir novos e velhos no
desenvolvimento do país?

R – Os velhos terão de colaborar, cada vez mais, nesse desenvolvimento. Até porque são eles que mais receitas consomem devido aos cuidados redobrados de que necessitam, a todos os níveis, particularmente da saúde. Estratégias? – Muitas: a) – ajudar, com o seu saber, os mais novos a terem sucesso (possível em muitas situações) e incentivando-os a procurarem soluções e não ficarem à espera que outros lhas apresentem; b) – não lhes roubar o lugar de emprego, reformando-se mais cedo; c) – lutar por uma nova ordem económico-financeira que permita o pleno emprego; d) – economizar o excedente, depois de satisfeitas as necessidades básicas (se houver excedente, claro!); e) – apresentar soluções aos políticos para permitir/acelerar esse desenvolvimento: no caso de Portugal, olhar o mar e os seus recursos, olhar a terra, olhar o Sol; f) – adaptar-se ao mundo real que muda constantemente e não ficar agarrado ao passado, lamentando-se; f) exercer actividades que não podem ser remuneradas, como as referentes à solidariedade social; g) criar movimentos artísticos, musicais e outros, que se apresentem para alegrarem uma sociedade que será cada vez mais triste, porque sem perspectivas de vida estável; etc.

6 - A flexibilização do emprego pode potenciar a motivação, a responsabilidade e a criatividade?

R – É provável que tal aconteça com alguns trabalhadores, sobretudo os que se enquadram nos campos da inovação e tecnológicos. Os jovens têm de estar preparados para tal cenário, que é o cenário para que aponta o futuro. Problema é que também pode potenciar o receio da perca de emprego, o que impedirá o jovem de construir uma vida familiar estável, com todas as consequências negativas que daí advêm para a sociedade. (Ver questão nº 3)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Austeridade e desenvolvimento



Todos – ou quase todos! – os economistas concordam que são antagónicos. Porquê? – Porque baixa o consumo interno e externo, consumo no qual está assente o desenvolvimento da economia. E é verdade: não se consumindo, as fábricas deixam de produzir, abrem falência, o desemprego aumenta, o que é uma sobrecarga para a Segurança Social, e há menos impostos tanto das empresas como dos trabalhadores para a sustentabilidade dessa mesma SS. É uma bola de neve... Ora, será que é preciso aumentar e fomentar o consumo, numa perspectiva global de sustentabilidade do Planeta e dos seus recursos, bem como da poluição que o consumo provoca, aumentando aquela com o aumento deste? – De certeza que não! Aliás, para que queremos nós dez camisas no roupeiro se cinco nos bastam perfeitamente? E dez casacos e dez pares de calças? O mesmo se passando na cozinha, com copos e pratos e talheres, o mesmo na sala, já abarrotada de bibelots, o mesmo no quarto com a caixa de jóias da senhora, ou a caixa de relógios dele, que já têm dificuldade em fechar à chave? E saindo, de casa, para quê mais casas e mais prédios se já há em cada cidade, milhares de casas desabitadas, tendo a classe média adquirido uma segunda, uma terceira casa que raramente usa e só lhe dá despesa e dores de cabeça e... trabalho?!

É tempo! É tempo de inventar uma nova Ordem económico-financeira, viável, tendo como base a sustentabilidade do Planeta, ao mesmo tempo que prima por justiça e equidade social, o que implica mudanças radicais em toda a orgânica que nos rege e que rege o mundo! Pois, porque conceber uma sociedade com milhões – biliões! – de pobres que vivem na miséria e morrem de fome, havendo uns quantos – umas dezenas de milhar! – que usufruem e malbaratam fortunas imensas, não permitindo aos primeiros que se cultivem e progridam, pelo contrário, explorando-os até à medula? E este é o mundo actual!

Mais uma vez se apela aos jovens! É deles o futuro do Planeta! São eles que, uma vez formados em boas Universidades, sobretudo de Economia, têm de tomar nas mãos este projecto e levá-lo a bom termo. Claro, a nível mundial.

São estas as ideias que vamos por aqui defendendo, tendo já explanado largamente o modus operandi para se atingirem tais objectivos. Vejam-se textos anteriores! Mas cremos que somos voz pregando no deserto, pois não há feedback algum, nem teve o sucesso desejado o livro-base de todas estas novas propostas, estas novas ideias: "Um Mundo Liderado por Mulheres" (Veja-se na Net).

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Livro-solução para a crise nacional e internacional

Já todos conhecem, mas é apenas para relembrar: são umas mãos femininas prontas e executar e a decidir sobre um mundo mais humano e mais justo, sem fomes nem guerras... Mulheres, obviamente, inteligentes, dinâmicas, sábias e honestas! Utopia? - Só até quando o Homem quiser!

domingo, 3 de junho de 2012

O grito do povo português

Embora, aqui, falemos mais de economia do que de política, eis que abrimos uma excepção para dar voz a este Movimento que começa: Haja quem crie o Manifesto urgente – O GRITO DO POVO (Facebook ou Petição Pública): Como já só os “amigos” e “interessados” se revêem nos partidos que temos e nos poderes instalados, vamos criar e apoiar um movimento imparável – com recolha do número legal de assinaturas – para: A – Obrigar a Assembleia a alterar a lei eleitoral antes das próximas eleições para que os votos em branco contem tanto como os votos expressos e não haja candidatos de partidos, mas todos independentes, por círculos uninominais, não mais do que 180 possíveis eleitos! Slogan: VOTE EM BRANCO ou VOTE NO CANDIDATO INDEPENDENTE DO SEU CÍRCULO QUE MEREÇA A SUA CONFIANÇA! Lembrem-se: "A arma do povo é o voto; quando dá o voto a alguém fica desarmado." Termos possíveis da Lei: «Os votos em branco terão o mesmo peso dos votos expressos e corresponderão, proporcionalmente aos expressos, a lugares vagos na Assembleia da República que serão atribuídos a candidatos independentes credíveis cujos currículos serão sujeitos a concurso público e apreciados por uma comissão independente dos partidos e do governo e de qualquer seita, comissão constituída pelo conjunto de reitores das Universidades Públicas, comissão em quem o povo confie, mas nunca de nomeação partidária.» B – Obrigar a Assembleia a aprovar uma lei em que se acabe COM NOMEAÇÕES DE CONFIANÇA POLÍTICA PARA QUALQUER CARGO PÚBLICO! Termos possíveis da Lei: «Todas as nomeações para qualquer cargo público serão feitas a partir de concurso público, sendo escolhidos pela COMPETÊNCIA, devendo tal avaliação ser feita pela mesma comissão que avaliou os candidatos à Assembleia para preencher lugares vazios expressos pelos votos em branco.» C – Obrigar a Assembleia a aprovar uma lei que acabe COM OS PRIVILÉGIOS DOS DEPUTADOS E DOS SERVIDORES DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, SENDO CONSIDERADOS, PARA TODOS OS EFEITOS, IGUAIS A FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS., tendo em consideração: 1. O deputado será pago apenas durante o seu mandato e não terá reforma senão a correspondente ao tempo de exercício do seu mandato. 2. O deputado vai contribuir para a Segurança Social de maneira igual aos restantes cidadãos. Todos os deputados (passado, presente e futuro) passarão para o actual sistema de Segurança Social imediatamente. O deputado irá participar nos benefícios do regime da Segurança Social exactamente como todos os outros cidadãos. O fundo de pensões não pode ser usado para qualquer outra finalidade. Não haverá privilégios exclusivos. 3. O deputado deve: 3.1 pagar seu plano de reforma, como todos os portugueses e da mesma maneira. 3.2. deixar de votar o seu próprio aumento salarial. 3.3. participar no mesmo sistema de saúde como todos os outros cidadãos portugueses. 3.4. estar sujeito às mesmas leis que o resto dos portugueses. 3.5. cumprir o seu mandato (não mais de 2 mandatos), e então ir para casa e procurar outro emprego, pois servir no Parlamento é uma honra, não uma carreira. Termos possíveis da Lei: «Todos os servidores da Assembleia da República serão considerados e equiparados, em regalias e benesses, a qualquer funcionário público, aplicando-se-lhe as normas em vigor para o sector público, nomeadamente no que concerne a descontos para a Segurança Social e obtenção de reforma.» D – Obrigar a Assembleia a aprovar uma lei que acabe COM A IMUNIDADE DOS DEPUTADOS E IMPUNIDADE DOS QUE, ESTANDO NO PODER, QUER NACIONAL QUER LOCAL, QUER REGIONAL, FAZEM OU FIZERAM CONTRATOS RUINOSOS PARA O ESTADO, PRIVILEGIANDO GRUPOS ECONÓMICOS PRIVADOS. Termos possíveis da Lei: «Os que decidem da “coisa pública” terão sempre como primeiro interesse salvaguardar os interesses superiores do Estado. Quando se comprovar que tal não fizeram, serão julgados em tribunal e condenados a prisão efectiva. Caso tenham directa ou indirectamente sido beneficiados por tais ruinosos contractos, serão ainda obrigados a ressarcir o Estado, com juros nos termos da lei, dos montantes por esse meio obtidos para proveito próprio ou de familiares e amigos.» (PS: texto passível de alterações ou complementos)